A língua de sinais é universal?

A língua de sinais não é universal — mas por que isso acontece? Há histórias, culturas e formas de comunicação que tornam essa descoberta mais interessante.

LINGUAGEM

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Língua de sinais é universal?
Língua de sinais é universal?

Poca e Teco estavam na casa dela procurando um vídeo para um trabalho da escola quando encontraram um em que uma pessoa interpretava o conteúdo em sinais.

Poca ficou olhando atentamente para os movimentos das mãos.
— Olha, Teco! É Libras.

QI estava deitada perto dos dois e acompanhava as mãos na tela com os olhos.

Poca tentou repetir um dos sinais e disse baixinho:
— Eu queria aprender.

Quando o vídeo terminou, apareceu outro sobre o mesmo assunto, mas dessa vez em inglês. Poca logo percebeu que a pessoa que fazia a interpretação usava sinais diferentes.

Teco franziu a testa.
— Espera... os sinais são diferentes.

Poca voltou um pouco o vídeo.
— São mesmo! Mas por quê?

Teco pensou.
— Talvez seja porque lá eles falam inglês e aqui a gente fala português.

Poca olhou para as próprias mãos.
— Então Libras é tipo português feito com as mãos?

QI inclinou a cabeça.
Essas mãos estão muito ocupadas hoje.

Os dois continuaram comparando os vídeos. Alguns sinais pareciam até semelhantes, mas outros eram completamente diferentes, e eles não conseguiram chegar a uma resposta.

No dia seguinte, procuraram a Professora Mel.
— Prô, a língua de sinais não é universal? — perguntou Poca.

A professora sorriu.
— Que pergunta boa! Antes de responder, pensem comigo: português, inglês e japonês são a mesma língua?

— Não — respondeu Teco.

— E vocês acham que alguém reuniu todas as pessoas de cada lugar e decidiu: “A partir de hoje, todo mundo vai falar assim”?

Poca riu.
— Claro que não.

— Pois é. As línguas foram surgindo e mudando conforme as pessoas se comunicavam umas com as outras. Com as línguas de sinais acontece algo parecido.

Teco se lembrou dos vídeos.
— Então os sinais ficaram diferentes porque foram surgindo em comunidades diferentes?

— Exatamente. Comunidades surdas de diferentes lugares foram se comunicando entre si e, ao longo do tempo, essas línguas foram se desenvolvendo, com seus próprios sinais e suas próprias regras.

Poca levantou a mão.
— Mas então eu estava errada ontem? Libras não é português feito com as mãos?

— Não é — respondeu a Professora Mel. — Libras significa Língua Brasileira de Sinais. Ela é uma língua, assim como o português, o inglês, o espanhol e tantas outras. Agora pensem: se eu pegar uma frase em português e apenas trocar cada palavra pela correspondente em inglês, ela sempre vai ficar certa?

— Não.

— Pois com a Libras acontece algo parecido. Não basta substituir cada palavra do português por um sinal. Ela tem sua própria maneira de organizar as ideias.

Teco pareceu surpreso.
— Então uma frase em Libras pode ser organizada de um jeito diferente de uma frase em português?

— Pode. Porque Libras é uma língua, e não apenas um conjunto de gestos.

Poca olhou para as próprias mãos novamente.
— E é tudo feito com as mãos?

— As mãos são muito importantes, mas vocês já perceberam como o rosto de quem está sinalizando também se movimenta?

Teco lembrou imediatamente dos vídeos.
— A sobrancelha! Às vezes ela sobe.

— Isso. O rosto e o corpo também ajudam a construir o significado. Uma expressão facial pode fazer parte da própria mensagem, e não servir apenas para mostrar se a pessoa está feliz ou triste.

Poca voltou à pergunta inicial.
— Mas se as línguas de sinais surgiram em lugares diferentes, então cada país tem uma?

A Professora Mel balançou a cabeça.
— Não funciona tão certinho assim. Um país pode ter mais de uma língua de sinais e uma mesma língua também pode apresentar diferenças de uma região para outra.

— Até no Brasil? — perguntou Teco.

— Até aqui. A Libras é muito usada pelas comunidades surdas brasileiras, mas existem também outras línguas de sinais no país, inclusive em algumas comunidades indígenas.

Poca pareceu surpresa.
— Nossa! Então nem dentro do mesmo país todo mundo necessariamente sinaliza igual.

— Exatamente.

Teco se lembrou de outra coisa.
— E nos Estados Unidos eles usam ASL porque falam inglês, certo?

A professora sorriu.
— Aí temos uma pista interessante. Nos Estados Unidos, muita gente usa ASL. Mas sabem o que acontece no Reino Unido?

Os dois esperaram.
— Lá também se fala inglês, mas muitas pessoas surdas usam outra língua de sinais, chamada BSL.

Poca arregalou os olhos.
— Mesmo falando inglês nos dois lugares?

— Mesmo assim.

Teco sorriu.
— Então isso mostra que uma língua de sinais não depende simplesmente da língua que as pessoas falam naquele país.

— Exatamente! As línguas têm suas próprias histórias.

Poca ficou pensando.
— Então seria muito mais fácil se existisse uma língua de sinais que todo mundo soubesse.

— Talvez facilitasse algumas conversas — respondeu a Professora Mel. — E em encontros entre pessoas surdas de vários países existem maneiras de tentar facilitar essa comunicação. Mas isso não significa que todas as pessoas surdas do mundo conheçam uma única língua de sinais.

Teco resumiu:
— Acho que entendi. As línguas de sinais foram se desenvolvendo em comunidades diferentes. Por isso não surgiu uma única língua que todo mundo no mundo usa.

— Isso mesmo — disse a professora.

Poca sorriu.
— Então ontem a gente achou estranho porque esperava encontrar os mesmos sinais...

— ...quando estava vendo duas línguas diferentes — completou Teco.

Naquela tarde, Poca voltou para casa decidida a aprender alguns sinais em Libras.

QI se sentou bem na frente dela e acompanhou cada movimento das mãos.
Tudo bem. Mas uma dessas mãos ainda podia fazer carinho.

dicionário
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Universal

É algo que vale ou pode ser compreendido da mesma maneira por todos os lugares ou pessoas de determinado grupo.

Exemplo: não existe uma língua de sinais universal conhecida e utilizada por todas as pessoas surdas do mundo.

Pense nisso
Pense nisso

Se você tivesse que inventar um gesto para representar sentimentos e ideias como saudade, amizade e família, como faria?

Experimente criar um gesto para cada palavra e depois procure descobrir como elas são sinalizadas de verdade em Libras.

você sabia
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Em uma língua de sinais, as expressões do rosto também podem fazer parte da mensagem. Movimentos das sobrancelhas, dos olhos e da boca podem ajudar a indicar perguntas, intensidade e outras informações.

Por isso, aprender uma língua de sinais envolve prestar atenção em muito mais do que apenas nas mãos.

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