Como surgiram as bicicletas?
Das primeiras ideias às bicicletas de hoje, Poca e Teco investigam como elas surgiram e descobrem que esse meio de transporte mudou muito ao longo do tempo.
HISTÓRIA E INVENÇÕES
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Poca e Teco estavam andando de bicicleta pela praça do bairro enquanto QI corria atrás deles.
— Vai, Teco! — gritou Poca. — Até aquela árvore!
Os dois começaram a pedalar mais rápido. QI também acelerou, determinada a participar daquela corrida que ninguém havia combinado com ela.
Quando chegaram à árvore, Teco freou e ficou olhando para a bicicleta.
— O que foi? — perguntou Poca.
— Estava pensando... A gente empurra o pedal, a corrente gira, a roda se mexe e a bicicleta anda.
Poca olhou para a própria bicicleta.
— É verdade. Parece tão normal que eu nunca tinha pensado nisso.
Ela girou um dos pedais com a mão e viu a roda traseira se movimentar.
— Será que as bicicletas sempre foram assim?
Teco observou as duas rodas.
— Não sei, mas quem teve a ideia de juntar tudo isso?
QI se sentou ao lado deles, ofegante.
Duas rodas… Quatro patas… Acho meu sistema melhor.
Foi então que Poca avistou alguém caminhando pela praça.
— Olha! É a prô Mel!
Os dois foram até ela com as bicicletas já acenando:
— Oi, prô! Tudo bem? — perguntou Teco.
— Tudo, sim! — respondeu ela.
Mas Poca já chegou com a pergunta:
— Prô, como surgiram as bicicletas?
A Professora Mel sorriu. Aquela prometia ser uma boa conversa.
— Que pergunta boa! Vamos conversar sobre isso?
Ela olhou para as bicicletas e continuou:
— Para começar, imaginem que tiramos os pedais, a corrente e os freios. O que sobraria?
Poca olhou para a sua.
— Duas rodas, o lugar para sentar e o guidão.
— E como vocês fariam para andar?
Teco respondeu primeiro:
— Empurrando o chão com os pés.
— Pois foi mais ou menos assim que essa história começou — disse a Professora Mel. — Sem pedal, sem corrente e com os pés no chão!
— Sério? — perguntou Poca.
— Sim, em 1817, o alemão Karl Drais apresentou um veículo de madeira com duas rodas alinhadas, uma atrás da outra. A roda dianteira podia ser direcionada, mas não havia pedais. Para andar, a pessoa se sentava e empurrava o chão com os pés.
— Então parecia aquelas bicicletas sem pedal que as crianças pequenas usam? — perguntou Poca.
— O jeito de se movimentar era parecido — respondeu a Professora Mel. — Só que aquela máquina fazia parte de uma história que ainda estava começando.
Teco apontou para os próprios pedais.
— Então alguém precisou inventar essa parte depois.
— Precisou. E levou algumas décadas. Por volta da década de 1860, começaram a aparecer na França veículos de duas rodas com pedais ligados diretamente à roda da frente. Eles ficaram conhecidos como velocípedes.
— Mas quem teve essa ideia? — perguntou Teco.
— Aí a história fica um pouco complicada — respondeu a Professora Mel. — Existem registros ligados a mais de uma pessoa, como Pierre Michaux e Pierre Lallement, por isso não dá para apontar com certeza uma única pessoa como a primeira.
Poca olhou para a própria bicicleta.
— Espera... o pedal ficava na roda da frente?
— Ficava.
Teco girou um dos pedais da sua bicicleta.
— Então cada volta do pedal fazia aquela roda dar uma volta também.
— Exatamente. E aí surgiu outro desafio: como fazer a bicicleta andar mais a cada pedalada?
Poca pensou.
— Colocando uma roda maior?
A Professora Mel sorriu.
— Foi justamente uma das ideias que tiveram! Surgiram então aquelas bicicletas antigas com uma roda enorme na frente e outra bem pequena atrás.
— Eu já vi uma dessas em um livro! — disse Poca. — A pessoa fica lá no alto!
— E esse era justamente um dos problemas — explicou a professora. — Elas podiam andar mais rápido, mas subir nelas já era difícil. Cair então...
Teco fez uma careta.
— Devia doer.
— Bastante.
Poca olhou para sua bicicleta.
— Ainda bem que alguém teve outra ideia.
— E teve mesmo. Em 1885, o britânico John Kemp Starley apresentou a Rover, conhecida como uma “bicicleta de segurança”. Em vez de uma roda gigantesca, ela tinha duas rodas de tamanhos parecidos. Os pedais movimentavam a roda traseira por meio de uma corrente.
Teco apontou imediatamente para a própria bicicleta.
— Igual à nossa!
— Agora vocês começaram a reconhecer a bicicleta, não é? — perguntou a professora.
— Muito mais! — respondeu Poca.
— E a bicicleta não parou de mudar por aí. Depois vieram os pneus com ar, que deixaram os trajetos mais confortáveis. Os freios melhoraram, apareceram novos materiais, marchas e muitos outros formatos.
Poca pensou por alguns segundos.
— Então ninguém acordou um dia e inventou a bicicleta inteira?
— Essa é a grande descoberta — respondeu a Professora Mel. — O que chamamos hoje de bicicleta surgiu aos poucos. Muitas pessoas perceberam problemas, tiveram ideias e melhoraram aquilo que já existia.
Teco sorriu.
— Primeiro os pés no chão, depois os pedais, depois rodas diferentes, corrente… Que legal!
— E ainda continuam inventando bicicletas novas — acrescentou Poca.
A Professora Mel concordou. Afinal, a história da bicicleta era também uma história de inovação: uma ideia sendo testada, modificada e melhorada por muitas pessoas ao longo do tempo.
Poca colocou um pé no pedal.
— Acho que nunca mais vou olhar para uma bicicleta e pensar que ela sempre foi assim.
Teco montou na dele.
— Corrida até o outro lado da praça?
Poca saiu pedalando antes mesmo de responder e só foi se despedindo:
— Tchau, prô! Obrigada pela conversa!
QI correu atrás dos dois.
Duas rodas contra quatro patas de novo.


Dianteira
É a parte que fica na frente de alguma coisa ou que está voltada para a direção em que ela segue.
Exemplo: na bicicleta, a roda dianteira é a que fica na frente e muda de direção quando movimentamos o guidão.


A bicicleta mudou muitas vezes porque diferentes pessoas perceberam problemas e imaginaram soluções.
Se você pudesse modificar uma bicicleta para torná-la mais útil ou fácil de usar para outras pessoas, o que inventaria?


No final do século XIX, a bicicleta significou mais do que uma nova maneira de se locomover. Para muitas mulheres na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, pedalar trouxe mais independência para circular e acabou associado às mudanças sociais vividas pelas mulheres naquela época.
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