O ser humano já foi mesmo à Lua?

O ser humano já foi mesmo à Lua? Poca e Teco decidiram não apenas procurar a resposta, mas descobrir como saber se podiam confiar nela. Entre livros, fotografias e muitas pistas, a investigação acabou levando os dois muito mais longe do que imaginavam.

UNIVERSO

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Naquela noite, Poca, Teco e QI estavam sentados no jardim, olhando para a Lua e conversando sobre a aula daquele dia.

— Eu nunca tinha reparado que ela tinha tantas manchas — comentou Poca.

Teco começou a lembrar do que a Professora Mel havia explicado.

— E as crateras... e o solo cheio de poeira e pedrinhas...

— E aquele lado que a gente não vê da Terra! — acrescentou Poca. — Que não fica escuro o tempo todo, apesar de muita gente chamar de “lado escuro”.

QI também olhou para cima, como quem estava investigando.
Func... func... Muito longe. Nenhum cheiro interessante daqui.

Por alguns instantes, os três ficaram observando a Lua em silêncio.

Então Poca se lembrou de uma imagem que já tinha visto e perguntou:
— Teco, sabe aquelas fotos dos astronautas na Lua? Tem uma em que aparece uma bandeira...

— Sei.

— Será que aquela bandeira está mesmo lá?

Teco olhou novamente para a Lua.
— Os astronautas colocaram uma lá quando foram até a Lua.

Poca continuou olhando para o céu e perguntou:
— Eu sei que contam isso. Mas... como a gente sabe que eles foram mesmo?

Dessa vez, Teco demorou um pouco mais para responder.

Eles sabiam das crateras, das cores, do solo lunar e até daquele lado da Lua que nunca vemos da Terra. Mas nenhuma dessas coisas respondia à pergunta de Poca.

— Acho que a gente precisa pesquisar — concluiu Teco.

QI se espreguiçou na grama.
Enquanto vocês pesquisam. Eu vigio a Lua.

Na manhã seguinte, Poca e Teco procuraram a Professora Mel.

— Prô, a gente tem uma pergunta — começou Poca. — Mas hoje não queremos que você conte a resposta, tá bom?

A professora pareceu surpresa:
— Não?

— Queremos descobrir sozinhos — explicou Teco. — Só que precisamos aprender onde procurar.

Poca completou:
— Você pode ir com a gente até a biblioteca e mostrar como a gente descobre se o ser humano foi mesmo à Lua?

A Professora Mel abriu um sorriso.
— Que pergunta boa! E gostei ainda mais do jeito que vocês decidiram investigá-la. Vamos pesquisar juntos?

Na biblioteca, a professora não pegou um livro e abriu diretamente na página da resposta. Ela apenas perguntou:
— Por onde vocês começariam?

Teco olhou para as estantes.
— Procurando livros sobre a Lua?

— É um bom começo.

Então, eles encontraram livros sobre Astronomia e exploração espacial. A Professora Mel mostrou como podiam consultar o índice e procurar palavras importantes relacionadas à pergunta.

— “Lua” vai aparecer um monte de vezes — percebeu Poca.

— Então precisamos pensar em palavras mais específicas — disse Teco. — “Astronautas”... “exploração espacial”...

Poca apontou para outra palavra, entusiasmada:
— Apollo!

E a pesquisa começava a ficar interessante.
Eles descobriram que, em julho de 1969, a missão Apollo 11 levou os primeiros seres humanos à superfície da Lua. Neil Armstrong e Buzz Aldrin caminharam por lá, enquanto Michael Collins permaneceu em órbita no módulo de comando.

Teco observou o livro por alguns instantes.
— Mas, prô... como a gente sabe se pode confiar no que está escrito aqui?

— Essa é uma parte muito importante de uma pesquisa — respondeu a Professora Mel. — Podemos começar descobrindo quem produziu aquela informação e depois comparar o que encontramos com outras fontes.

— Então não é só achar uma resposta e pronto? — perguntou Poca.

— Não. É importante procurar informações em fontes confiáveis, comparar o que elas dizem e procurar evidências que sustentem aquela resposta.

Eles procuraram outros livros e consultaram também registros da NASA sobre as missões Apollo. Ao comparar as informações, perceberam que os nomes, as datas e os acontecimentos estavam registrados em diferentes fontes.

Então, encontraram fotografias. Em uma delas, Buzz Aldrin aparecia ao lado de uma bandeira dos Estados Unidos.

— É essa! — exclamou Poca. — Foi essa bandeira que eu vi!

Mas Teco continuou observando a página.
— A foto mostra os astronautas lá. Mas será que existem outras pistas?

A Professora Mel sorriu.
— O que vocês acham que podemos fazer para descobrir mais coisas?

Os dois responderam quase ao mesmo tempo:
— Continuar pesquisando!

E encontraram muitas outras pistas.
Descobriram que a Apollo 11 não foi a única missão a pousar na Lua. Entre 1969 e 1972, seis missões Apollo levaram astronautas até a superfície lunar, e doze seres humanos caminharam por lá. Em cada uma dessas missões, os astronautas colocaram uma bandeira americana na Lua.

— Espera aí... — Poca contou nos dedos. — Então não colocaram uma bandeira. Colocaram seis!

— Exatamente — respondeu a Professora Mel.

Mas as bandeiras eram apenas uma parte da história.

As missões trouxeram para a Terra cerca de 382 quilos de rochas, poeira e outros materiais lunares. Essas amostras foram estudadas por cientistas de diferentes lugares e continuam sendo pesquisadas até hoje.

— Então eles trouxeram pedaços da Lua para cá? — perguntou Poca.

— Trouxeram — confirmou a professora.

Teco parecia cada vez mais interessado.
— E ficou alguma coisa deles por lá?

Era hora de procurar novamente.
Os astronautas deixaram equipamentos científicos, partes dos módulos usados nas missões e outros objetos na superfície lunar. Décadas depois, sondas que orbitam a Lua fotografaram os locais de pouso. Nessas imagens, é possível identificar equipamentos, partes dos módulos e até rastros deixados pelos astronautas e pelos veículos utilizados em algumas missões.

Poca olhou para tudo o que tinham encontrado.
— Então não existe uma pista só.

— Exatamente — disse a Professora Mel. — Quando queremos investigar se uma informação é confiável, uma das coisas que podemos fazer é procurar diferentes evidências e comparar informações de boas fontes.

Teco começou a enumerar:
— Tem as fotografias das missões, as rochas que eles trouxeram, os equipamentos que ficaram lá...

— E as imagens feitas depois! — completou Poca.

Ela parou por um instante.
— Mas e a minha primeira pergunta? As bandeiras ainda estão lá?

A investigação ainda não tinha terminado.

Eles descobriram que responder a isso era mais difícil. Imagens feitas pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter permitiram identificar sombras no local de algumas das bandeiras, indicando que algumas continuavam em pé quando foram fotografadas. Já a bandeira colocada pela Apollo 11 provavelmente caiu durante a decolagem do módulo lunar.

— Então foram colocadas seis bandeiras na Lua, mas não dá para dizer que todas continuam em pé até hoje — concluiu Teco.

— Isso mesmo — disse a Professora Mel.

Poca fechou o livro, satisfeita.
— Acho que hoje a gente descobriu mais do que a resposta da nossa pergunta.

Teco concordou.
— A gente aprendeu que também pode descobrir as respostas procurando as pistas certas.

A Professora Mel sorriu, satisfeita. Dessa vez, ela quase não precisou explicar nada sobre a Lua. Só precisou mostrar o caminho.

dicionário
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Evidência

É uma informação, observação ou descoberta que ajuda a verificar se uma ideia ou explicação é sustentada pelos fatos. Quando investigam alguma coisa, cientistas e pesquisadores procuram evidências antes de chegar a uma conclusão.

Exemplo: as amostras de material lunar trazidas pelos astronautas, as fotografias, os equipamentos deixados na Lua e as imagens posteriores dos locais de pouso são diferentes evidências das missões Apollo.


pense nisso
pense nisso

Poca e Teco poderiam simplesmente ter perguntado à Professora Mel se o ser humano realmente foi à Lua. Em vez disso, decidiram aprender a investigar.
Quando encontramos uma informação que parece verdadeira, o que podemos fazer para descobrir se realmente podemos confiar nela?

você sabia
você sabia

Na Lua, suas pegadas podem permanecer por milhões de anos!
Como praticamente não há atmosfera, não existem vento e chuva como os da Terra para apagar rapidamente as marcas deixadas no solo lunar. Com o tempo, pequenos meteoritos e partículas espaciais podem modificar a superfície, mas isso acontece muito devagar.

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