Peixes bebem água?
Peixes vivem cercado de água, mas será que a bebem? Essa pergunta simples esconde uma diferença curiosa entre quem vive nos rios e quem vive no mar ou no oceano.
TERRA E NATUREZA
4 min ler


Poca estava enchendo o potinho de água de QI quando Teco comentou:
— Acho que peixe é muito mais fácil de cuidar do que cachorro.
Poca olhou para ele.
— Por quê?
— Cachorro precisa de água, comida, passeio...
QI começou a beber água justamente naquele momento, mas não tirou os olhos de Teco.
— E peixe não precisa de comida? Nem de aquário limpo? — perguntou Poca.
— Precisa. Mas pelo menos água para beber não precisa. Ele já vive dentro dela!
Poca parou com a garrafa na mão.
— Espera aí... peixe não bebe água?
Teco pensou.
— Acho que não.
— Mas e se ele sentir sede?
Os dois ficaram olhando um para o outro.
QI continuou bebendo tranquilamente.
Vocês podem investigar. Só não esqueçam de encher de novo.
Na manhã seguinte, Poca e Teco chegaram à escola ainda discutindo o assunto.
— Vamos perguntar para a prô Mel — sugeriu Poca.
Teco teve outra ideia.
— E se a gente tentar descobrir antes?
Poca adorou a ideia e, antes da aula, os dois foram procurar a resposta em materiais de Ciências da biblioteca.
Começaram achando que encontrariam apenas um “sim” ou um “não”.
Mas a resposta era mais interessante:
— Poca... depende do peixe!
— Como assim?
Eles continuaram pesquisando até encontrarem a resposta...
Quando entraram na sala, a Professora Mel já estava lá.
— Prô! — chamou Poca. — A gente tinha uma pergunta para você, mas resolveu pesquisar antes.
A professora abriu um sorriso.
— O que vocês queriam descobrir?
— Se peixe bebe água — respondeu Teco.
— Que pergunta boa! E o que descobriram?
— Descobrimos que alguns bebem e outros quase não precisam beber.
— Agora fiquei curiosa — disse a professora. — Contem mais para mim.
Teco começou:
— Primeiro descobrimos que um peixe de água doce e um peixe que vive no mar têm problemas quase opostos.
— Por causa do sal! — acrescentou Poca. — A diferença está na salinidade da água onde eles vivem. Nos peixes de água doce, o corpo tem mais sais do que a água ao redor. Então a água entra naturalmente no organismo, principalmente pelas brânquias. Por isso, eles quase não precisam beber e ainda têm que eliminar o excesso fazendo bastante urina, com muita água e poucos sais.
— Mas isso é só uma parte — respondeu Teco. — Porque no mar acontece o contrário.
A Professora Mel sorriu.
— Expliquem essa parte.
— A água do mar tem muito mais sal — continuou Teco. — Então muitos peixes marinhos podem perder água do próprio corpo para o ambiente.
— E aí ele precisa beber água! — completou Poca. — Quando o peixe bebe, a água do mar passa pelo sistema digestório e o corpo consegue aproveitar parte dela. Só que, junto com a água, também entra muito sal. Então ele precisa dar um jeito de eliminar esse excesso.
— Isso. A água do mar entra pelo sistema digestório e o corpo consegue aproveitar parte dela. Só que, junto com a água, também entra muito sal. Então o peixe precisa dar um jeito de eliminar esse excesso.
— Então ele bebe água salgada sem ficar cheio de sal? — perguntou Poca.
— Aí entram outras partes do corpo nessa história — respondeu a Professora Mel. — As brânquias ajudam a eliminar boa parte desse excesso de sal, e os rins também participam desse equilíbrio. Assim, o peixe consegue aproveitar a água de que precisa sem acumular sal demais no organismo.
Teco lembrou de outra coisa que tinha visto.
— Mas, prô, peixe fica abrindo e fechando a boca o tempo todo. Ele está bebendo água?
— Nem sempre — respondeu a professora. — Muitas vezes ele está fazendo a água passar pela boca e pelas brânquias, que retiram da água o oxigênio dissolvido nela. Água entrando pela boca não significa necessariamente que aquela água será engolida e usada como bebida.
Poca riu.
— Então olhar para um peixe abrindo a boca não ajuda muito a descobrir se ele está bebendo água ou não.
— Exatamente.
Teco tentou resumir:
— Peixes de água doce recebem muita água naturalmente e geralmente precisam eliminar o excesso. Já em muitos peixes do mar, acontece o contrário. Como a água do mar tem muito sal, parte da água que está dentro do corpo do peixe tende a sair para o ambiente. Por isso, eles precisam beber água para repor o que perderam.
— Muito bem — respondeu a Professora Mel. — E ainda existem as exceções. Nem todos os peixes controlam água e sais exatamente da mesma maneira.
Poca parecia satisfeita.
— Prô, foi muito legal descobrir antes de perguntar.
— E qual foi a melhor parte?
Teco respondeu:
— Achar que a resposta seria “sim” ou “não” e descobrir que era “depende”.
Poca riu e concordou.
— Agora falta resolver nossa primeira discussão.
— Qual? — perguntou a professora.
— Se é mais fácil cuidar de peixe ou de cachorro.
Teco riu.
— Depois dessa pesquisa, acho que peixe já não parece tão simples assim.


Alguns peixes conseguem viver em água doce e água salgada em diferentes momentos da vida.
O salmão é um exemplo. Quando passa de um ambiente para o outro, seu organismo precisa mudar a maneira como controla a entrada e a saída de água e sais. No mar, ele passa a beber mais água e eliminar o excesso de sal; na água doce, ocorre praticamente o contrário.


Salinidade
É a quantidade de sais dissolvidos na água. Quanto maior a quantidade desses sais, maior é a salinidade.
Exemplo: a água do oceano possui uma salinidade muito maior do que a água de um rio.


Às vezes, um animal parece ser “mais fácil” de cuidar apenas porque ainda não conhecemos todas as necessidades dele.
Antes de escolher um animal de estimação, o que você acha que precisamos aprender sobre ele para cuidar bem de verdade?
Contato
Redes
qpb.blog@gmail.com
© 2025. All rights reserved.
Fale conosco para tirar dúvidas, enviar a sua pergunta ou deixar seu recado para o nosso Clube QPB!
