Peixes bebem água?

Peixes vivem cercado de água, mas será que a bebem? Essa pergunta simples esconde uma diferença curiosa entre quem vive nos rios e quem vive no mar ou no oceano.

TERRA E NATUREZA

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Peixes bebem água?
Peixes bebem água?

Poca estava enchendo o potinho de água de QI quando Teco comentou:
— Acho que peixe é muito mais fácil de cuidar do que cachorro.

Poca olhou para ele.
— Por quê?

— Cachorro precisa de água, comida, passeio...

QI começou a beber água justamente naquele momento, mas não tirou os olhos de Teco.

— E peixe não precisa de comida? Nem de aquário limpo? — perguntou Poca.

— Precisa. Mas pelo menos água para beber não precisa. Ele já vive dentro dela!

Poca parou com a garrafa na mão.
— Espera aí... peixe não bebe água?

Teco pensou.
— Acho que não.

— Mas e se ele sentir sede?

Os dois ficaram olhando um para o outro.

QI continuou bebendo tranquilamente.
Vocês podem investigar. Só não esqueçam de encher de novo.

Na manhã seguinte, Poca e Teco chegaram à escola ainda discutindo o assunto.

— Vamos perguntar para a prô Mel — sugeriu Poca.

Teco teve outra ideia.
— E se a gente tentar descobrir antes?

Poca adorou a ideia e, antes da aula, os dois foram procurar a resposta em materiais de Ciências da biblioteca.

Começaram achando que encontrariam apenas um “sim” ou um “não”.

Mas a resposta era mais interessante:
— Poca... depende do peixe!

— Como assim?

Eles continuaram pesquisando até encontrarem a resposta...

Quando entraram na sala, a Professora Mel já estava lá.

— Prô! — chamou Poca. — A gente tinha uma pergunta para você, mas resolveu pesquisar antes.

A professora abriu um sorriso.
— O que vocês queriam descobrir?

— Se peixe bebe água — respondeu Teco.

—
Que pergunta boa! E o que descobriram?

— Descobrimos que alguns bebem e outros quase não precisam beber.

— Agora fiquei curiosa — disse a professora. — Contem mais para mim.

Teco começou:
— Primeiro descobrimos que um peixe de água doce e um peixe que vive no mar têm problemas quase opostos.

— Por causa do sal! — acrescentou Poca. — A diferença está na salinidade da água onde eles vivem. Nos peixes de água doce, o corpo tem mais sais do que a água ao redor. Então a água entra naturalmente no organismo, principalmente pelas brânquias. Por isso, eles quase não precisam beber e ainda têm que eliminar o excesso fazendo bastante urina, com muita água e poucos sais.

— Mas isso é só uma parte — respondeu Teco. — Porque no mar acontece o contrário.

A Professora Mel sorriu.
— Expliquem essa parte.

— A água do mar tem muito mais sal — continuou Teco. — Então muitos peixes marinhos podem perder água do próprio corpo para o ambiente.

— E aí ele precisa beber água! — completou Poca. — Quando o peixe bebe, a água do mar passa pelo sistema digestório e o corpo consegue aproveitar parte dela. Só que, junto com a água, também entra muito sal. Então ele precisa dar um jeito de eliminar esse excesso.

— Isso. A água do mar entra pelo sistema digestório e o corpo consegue aproveitar parte dela. Só que, junto com a água, também entra muito sal. Então o peixe precisa dar um jeito de eliminar esse excesso.

— Então ele bebe água salgada sem ficar cheio de sal? — perguntou Poca.

— Aí entram outras partes do corpo nessa história — respondeu a Professora Mel. — As brânquias ajudam a eliminar boa parte desse excesso de sal, e os rins também participam desse equilíbrio. Assim, o peixe consegue aproveitar a água de que precisa sem acumular sal demais no organismo.

Teco lembrou de outra coisa que tinha visto.
— Mas, prô, peixe fica abrindo e fechando a boca o tempo todo. Ele está bebendo água?

— Nem sempre — respondeu a professora. — Muitas vezes ele está fazendo a água passar pela boca e pelas brânquias, que retiram da água o oxigênio dissolvido nela. Água entrando pela boca não significa necessariamente que aquela água será engolida e usada como bebida.

Poca riu.
— Então olhar para um peixe abrindo a boca não ajuda muito a descobrir se ele está bebendo água ou não.

— Exatamente.

Teco tentou resumir:
— Peixes de água doce recebem muita água naturalmente e geralmente precisam eliminar o excesso. Já em muitos peixes do mar, acontece o contrário. Como a água do mar tem muito sal, parte da água que está dentro do corpo do peixe tende a sair para o ambiente. Por isso, eles precisam beber água para repor o que perderam.

— Muito bem — respondeu a Professora Mel. — E ainda existem as exceções. Nem todos os peixes controlam água e sais exatamente da mesma maneira.

Poca parecia satisfeita.
— Prô, foi muito legal descobrir antes de perguntar.

— E qual foi a melhor parte?

Teco respondeu:
— Achar que a resposta seria “sim” ou “não” e descobrir que era “depende”.

Poca riu e concordou.
— Agora falta resolver nossa primeira discussão.

— Qual? — perguntou a professora.

— Se é mais fácil cuidar de peixe ou de cachorro.

Teco riu.
— Depois dessa pesquisa, acho que peixe já não parece tão simples assim.

Você Sabia
Você Sabia

Alguns peixes conseguem viver em água doce e água salgada em diferentes momentos da vida.

O salmão é um exemplo. Quando passa de um ambiente para o outro, seu organismo precisa mudar a maneira como controla a entrada e a saída de água e sais. No mar, ele passa a beber mais água e eliminar o excesso de sal; na água doce, ocorre praticamente o contrário.

Dicionário
Dicionário

Salinidade

É a quantidade de sais dissolvidos na água. Quanto maior a quantidade desses sais, maior é a salinidade.

Exemplo: a água do oceano possui uma salinidade muito maior do que a água de um rio.

Pense Nisso
Pense Nisso

Às vezes, um animal parece ser “mais fácil” de cuidar apenas porque ainda não conhecemos todas as necessidades dele.

Antes de escolher um animal de estimação, o que você acha que precisamos aprender sobre ele para cuidar bem de verdade?

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