Por que não tem a cor preta no arco-íris?
Ver um arco-íris no céu é uma das imagens mais lindos que nossos olhos conseguem ver. Mas será que nele há todas as cores? Vem descobrir com a turma onde foi parar a cor preta nessa história.
UNIVERSO
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A turma tinha trocado a sala de aula pelo gramado da escola. Depois de uma chuva rápida, o Sol voltou a aparecer e, enquanto a Professora Mel organizava a atividade, Poca ergueu os olhos.
— Olha turma! Um arco-íris!
Algumas crianças apontaram para o céu. Poca começou a acompanhar as faixas com o dedo.
— Vermelho, laranja, amarelo, verde, azul...
Teco observou por alguns segundos.
— Tem um monte de cores.
Poca continuou olhando e franziu a testa.
— Mas está faltando uma!
— Qual?
— Preto. Por que nunca tem preto no arco-íris?
Teco olhou novamente, como se a cor pudesse estar escondida entre as outras.
Nada.
Os dois se aproximaram da Professora Mel.
— Professora, por que não tem preto no arco-íris?
Ela olhou para o céu e sorriu.
— Que pergunta boa! Já que o arco-íris apareceu bem na nossa frente, vamos descobrir juntos?
A Professora Mel começou com outra pergunta:
— De onde vocês acham que vêm as cores do arco-íris?
Poca olhou para o céu.
— Da chuva?
— Tem água envolvida — disse Teco. — Mas também precisa do Sol, não precisa?
— Exatamente! — respondeu a professora. — E essa é a primeira pista.
A luz que recebemos do Sol parece branca, mas ela contém diferentes cores de luz. Quando a luz solar entra em uma gotinha de água, muda de direção. Lá dentro, parte dela também é refletida e, ao sair da gota, muda de direção novamente. Nesse processo, as diferentes cores que estavam juntas na luz do Sol se separam.
É parecido com o que acontece quando a luz atravessa um prisma de vidro. Aquela luz que parecia simplesmente branca pode se abrir em uma sequência de cores.
— Então as gotinhas de chuva funcionam como vários prismas pequenininhos? — perguntou Poca.
— É uma ótima maneira de imaginar — respondeu a Professora Mel.
As cores que nossos olhos conseguem perceber fazem parte do chamado espectro visível. Nele encontramos uma passagem contínua de cores, do vermelho ao violeta. É dessa luz que surgem as faixas coloridas que enxergamos no arco-íris.
Teco voltou à pergunta inicial:
— Mas e o preto? Onde ele fica?
A Professora Mel pegou duas folhas: uma branca e uma preta.
— Pensem no que acontece quando olhamos para alguma coisa. Para enxergarmos uma cor, alguma luz precisa chegar aos nossos olhos.
Ela mostrou a folha branca.
— Uma superfície branca devolve bastante luz visível para os nossos olhos.
Depois levantou a preta.
— Já uma superfície preta absorve grande parte da luz que recebe e devolve muito menos luz visível aos nossos olhos.
Poca olhou para as duas folhas.
— Então preto não é mais uma cor da luz branca esperando para se separar?
— Isso mesmo! Quando falamos de luz, o preto representa a ausência, ou uma quantidade muito pequena, de luz visível chegando aos nossos olhos. Por isso ele não aparece como uma faixa do arco-íris.
Teco pensou por alguns instantes.
— Ah! Então as gotas conseguem separar as diferentes cores da luz do Sol, mas não conseguem separar uma “luz preta”...
— Exatamente — respondeu a professora. — Porque não existe uma faixa de luz preta dentro da luz solar para a gota separar.
Poca voltou a olhar para o arco-íris.
Agora ele parecia ainda mais interessante.
— Então eu estava procurando uma cor que não estava escondida. Ela simplesmente não fazia parte daquela luz separada pelas gotas!
A Professora Mel sorriu.
Às vezes, descobrir por que alguma coisa não está em um lugar pode ensinar tanto quanto descobrir o que está.


Espectro
É o conjunto de diferentes tipos de luz organizados de acordo com seus comprimentos de onda. O espectro visível é a pequena parte que nossos olhos conseguem enxergar. Quando a luz branca atravessa um prisma, por exemplo, podemos observar as diferentes cores desse espectro separadas.
Do chão, normalmente enxergamos o arco-íris como um arco. Mas ele é, na verdade, parte de um círculo completo! A própria posição do horizonte costuma esconder a parte de baixo. Em lugares altos, como durante um voo de avião, é possível observar um arco-íris formando um círculo inteiro quando as condições estão certas.
Às vezes percebemos primeiro aquilo que está presente. Mas observar o que está faltando também pode levar a grandes descobertas. Que outras coisas do cotidiano você poderia investigar prestando atenção não apenas no que vê, mas também no que não se vê?




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