Todos os dinossauros morreram por causa de um meteoro?
Um meteoro é apontado como causa da extinção, mas será que todos os dinossauros morreram do mesmo jeito? Essa história guarda várias surpresas pelo caminho.
HISTÓRIA E INVENÇÕES
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Naquela manhã, Teco chegou à escola com uma informação que parecia não deixar espaço para nenhuma dúvida.
Assim que encontrou Poca e seus colegas, contou:
— Eu sei por que os dinossauros foram extintos. Um meteoro caiu na Terra e acabou com todos eles.
— Todos? — perguntou Poca.
— To-dos.
A Professora Mel, que organizava alguns materiais ali perto, ouviu a conversa.
— Hum... acho que temos uma informação interessante aí — disse ela. — Mas também temos algumas palavras que merecem uma investigação.
Teco ficou intrigado.
— Eu falei alguma coisa errada?
— Não exatamente. Você trouxe uma parte muito importante da história. Mas será que ela conta tudo?
Poca imediatamente entrou na investigação:
— Então todos os dinossauros morreram por causa de um meteoro ou não?
— Que pergunta boa! Vamos começar pelo tal meteoro — disse a professora, sorrindo. — Há cerca de 66 milhões de anos, um enorme asteroide atingiu a região onde hoje fica a Península de Yucatán, no México. Esse impacto abriu uma cratera gigantesca, conhecida como Chicxulub, e provocou mudanças no planeta inteiro.
Teco levantou uma sobrancelha.
— Asteroide? Então não era um meteoro?
— Essa é nossa primeira correção — respondeu a Professora Mel. — Asteroides e meteoros não são a mesma coisa. Quando falamos daquele enorme objeto que veio do espaço e atingiu a Terra, o mais adequado é chamá-lo de asteroide. Meteoro é o nome daquele rastro luminoso que vemos no céu quando um material vindo do espaço entra na nossa atmosfera.
Poca pensou por alguns segundos.
— Está bem. Então um asteroide caiu e matou os dinossauros?
— Calma... ainda temos o “todos” para investigar — lembrou a professora.
Teco sorriu. Sua frase estava dando mais trabalho do que ele imaginava.
— O que aconteceu quando o asteroide atingiu a Terra? — perguntou Mel.
Poca tentou imaginar.
— Deve ter feito uma explosão gigantesca.
— E fez. Mas os problemas não ficaram apenas perto do lugar da colisão. O impacto lançou enormes quantidades de poeira, fuligem e outras partículas para a atmosfera. Parte desse material se espalhou pelo planeta e dificultou a passagem da luz do Sol. A Terra ficou mais fria e escura, e muitas plantas tiveram dificuldade para realizar fotossíntese.
Teco começou a perceber o problema.
— Ixi… Se as plantas morressem, os animais que comiam plantas ficariam sem alimento.
— Exatamente.
Poca continuou:
— E os animais que comiam outros animais também ficariam sem comida porque o seu alimento morreu de fome!
— Isso mesmo. As cadeias alimentares foram profundamente afetadas pelo impacto. Então não devemos imaginar que todos os dinossauros simplesmente caíram mortos no instante em que o asteroide atingiu a Terra. O impacto provocou enormes mudanças no ambiente, e essas mudanças tornaram a sobrevivência muito difícil para muitas espécies.
Cerca de três quartos das espécies existentes naquela época desapareceram durante aquela extinção em massa. Hoje, as evidências científicas apontam o impacto de Chicxulub como a principal causa desse grande evento de extinção.
Teco voltou à sua frase.
— Então eu poderia dizer que o asteroide provocou mudanças que levaram os dinossauros à extinção?
A professora sorriu.
— Melhorou bastante. Mas ainda temos aquela palavrinha...
Poca lembrou imediatamente.
— Todos!
A Professora Mel apontou para a janela.
No galho de uma árvore havia um passarinho.
— Estão vendo aquele passarinho?
— Sim — responderam os dois.
— Então vocês estão olhando para um dinossauro.
Poca arregalou os olhos.
— O quê?!
Teco olhou novamente para a ave.
— Um dinossauro... com penas?
— Isso mesmo. As aves fazem parte do grupo dos dinossauros. E elas já existiam quando o asteroide atingiu a Terra. Mas nem todas sobreviveram.
— Então por que algumas conseguiram? — perguntou Poca.
— Essa é uma pergunta que os cientistas também investigam. Não existe uma resposta única, mas algumas características parecem ter ajudado. Muitas das aves que sobreviveram eram pequenas e conseguiam aproveitar diferentes tipos de alimento e fugir dos predadores.
Teco pensou no que tinham aprendido sobre a falta de plantas.
— Mas se quase não tinha vegetação, o que elas comiam?
— Algumas conseguiam comer sementes — explicou a professora. — Mesmo depois que muitas plantas morreram, sementes podiam continuar espalhadas pelo chão por algum tempo. Isso pode ter sido uma vantagem num mundo em que encontrar comida havia ficado muito difícil. E sem falar que ela podiam ir a locais mais altos e distantes para conseguir alimento.
Poca voltou a olhar para o passarinho.
— Então algumas aves sobreviveram àquela época terrível...
— ...e seus descendentes continuaram mudando ao longo de milhões de anos — completou a Professora Mel. — Com o tempo, surgiram muitos dos diferentes grupos de aves que vemos hoje.
Teco sorriu.
— Então os dinossauros não desapareceram completamente.
— Exatamente.
Teco parecia estar reconstruindo sua frase na cabeça.
Mas ainda teve outra dúvida:
— Foi só o asteroide que estava causando problemas naquela época?
— Essa é uma pergunta que os cientistas continuam estudando — respondeu a Professora Mel. — Naquele período também estavam acontecendo enormes erupções vulcânicas na região que hoje faz parte da Índia. Elas liberaram gases e provocaram mudanças no clima. Há evidências de que esse vulcanismo também afetou os ambientes, mas os estudos atuais apontam o impacto do asteroide como a principal causa da grande extinção.
Poca olhou para Teco.
— Então sua frase estava quase certa.
Teco riu e foi contando nos dedos:
— Só precisava trocar “meteoro” por asteroide, explicar o que aconteceu depois da batida, lembrar dos vulcões e tirar o “todos”.
— Quase nada — brincou Poca.
A Professora Mel sorriu.
Teco olhou mais uma vez para o passarinho do lado de fora.
— Amanhã acho que vou chegar dizendo outra coisa.
— O quê? — perguntou Poca.
— Que ainda existem dinossauros.
Poca abriu um sorriso.
— Essa vai render outra conversa.


Uma das pistas que ajudaram os cientistas a relacionar a grande extinção ao impacto de um asteroide foi encontrada nas próprias rochas.
Em diferentes lugares do planeta existe uma fina camada formada aproximadamente na época da extinção que contém uma quantidade incomum de irídio, um elemento raro na crosta terrestre, mas encontrado em maior quantidade em alguns asteroides. Essa foi uma das evidências que ajudaram os pesquisadores a reconstruir o que aconteceu há cerca de 66 milhões de anos.


Extinção em massa
É um período da história da Terra em que muitas espécies de seres vivos desaparecem em um intervalo relativamente curto de tempo geológico.
Isso não significa que toda a vida desaparece. Algumas espécies sobrevivem e continuam se desenvolvendo depois.
Exemplo: há cerca de 66 milhões de anos, uma extinção em massa eliminou os dinossauros não avianos e muitas outras espécies, enquanto outros grupos conseguiram sobreviver.


Teco tinha aprendido uma informação verdadeira, mas descobriu que ela não contava a história inteira.
Quando alguém apresenta alguma coisa como uma certeza, que perguntas você pode fazer para descobrir se ainda existe algo mais para aprender?
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